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Veículos elétricos: o regresso cem anos depois
27 Jun, 2019

Os veículos elétricos são uma tecnologia de ponta recente no setor automóvel. Sim ou não? Sim e não. Sim, porque os mais recentes modelos 100% elétricos são exemplo da melhor tecnologia que o setor automóvel pode oferecer.

Não, porque já no início do século XX havia veículos movidos a eletricidade, mas acabaram por ver, sobretudo por questões relacionadas com o custo de utilização, as opções com motor a combustão ganharem a dianteira e tornarem-se, durante largas décadas e até há poucos anos, opção quase exclusiva.

Na década de 30 do século XIX, o escocês Robert Anderson inventou a primeira carruagem elétrica. Os primeiros automóveis elétricos surgiram no virar do século. Em 1890, William Morrison lançou um veículo com capacidade para seis passageiros que era pouco mais do que uma carruagem eletrificada.

Entretanto, houve alguma evolução. Destaque para o Phaeton, produzido pela Wood. Lançado em 1902, custava dois mil dólares e tinha uma autonomia de 29 km e uma velocidade máxima de 22 km/h.

Muitos inovadores da época perceberam a procura pelo veículo elétrico e apostaram na tecnologia. Por exemplo, Ferdinand Porsche, fundador da mítica marca de automóveis desportivos com o mesmo nome, desenvolveu, em 1898, um modelo elétrico chamado P1. O mesmo empreendedor criou, pela mesma altura, o primeiro automóvel híbrido (movido a eletricidade e a gasolina) do mundo.

No início do século XX, havia já alguns modelos e procura do mercado. Por essa altura, várias cidades tinham grandes frotas (à escala da época). Por exemplo, em Nova Iorque circulavam 60 táxis elétricos, e em Londres os armazéns Harrods faziam entregas aos clientes em furgões elétricos.

Thomas Edison, um dos maiores inventores de sempre, acreditou que os veículos elétricos eram a tecnologia superior e trabalhou para construir melhores baterias. O próprio Henry Ford, amigo de Edison, fez uma parceria com o “pai” da lâmpada elétrica para explorar as opções de um automóvel elétrico de baixo custo, em 1914, segundo a revista “Wired”.

 

Ford Model T baixou custos da combustão

Ironia das ironias foi o Model T, um dos primeiros automóveis produzidos em massa, de Henry Ford que desferiu um golpe no carro elétrico. É que o modelo lançado em 1908, o Model T tornou os carros movidos a gasolina amplamente disponíveis e acessíveis.

Henry Ford projetou a sua primeira linha de montagem móvel em 1913, revolucionando o processo de fabricação do Model T. Esta linha de montagem, inicialmente instalada na fábrica da Ford em Highland Park, Michigan, foi o espelho dos processos de produção em massa no resto do mundo.

Com mecânica simples, robusto e fácil de manter, rapidamente caiu no gosto popular. O constante aperfeiçoamento do processo produtivo também trouxe a redução dos custos. O Model T custava 850 dólares quando foi lançado, contra 1750 dólares de um veículo elétrico. Mas no último ano de produção, em 1927, o modelo da Ford custava 290 dólares.

Em 1912, Charles Kettering introduziu o motor de arranque elétrico, eliminando a necessidade da manivela. Outros desenvolvimentos também contribuíram para o declínio do veículo elétrico. Na década de 1920, as redes de rodoviárias foram melhorando um pouco por todo o mundo. Ao mesmo tempo, descobriu-se o petróleo barato, podendo as pessoas aproveitar a facilidade de abastecimento e autonomia dos veículos a combustão.

Resultado, os veículos elétricos quase desapareceram a partir de meados da década de 1930. Seria só nos anos 1970, após a crise petrolífera, que os automóveis elétricos voltariam a ser tema, mas sempre de forma tímida. Só no fim dos anos 1990, no caso dos híbridos (sobretudo Toyota Prius), e já na reta final da primeira década do século XXI (destaque para a Tesla e Nissan, com o LEAF) no caso dos 100% elétricos, é que chegaram os automóveis elétricos modernos.

Hoje, a eletrificação parece num caminho sem retorno e todos os grandes fabricantes automóveis (com alguns novos operadores) têm planos ambiciosos de lançamento de modelos 100% elétricos e híbridos (convencionais e plug-in). No ano passado, o mercado de veículos totalmente elétricos representou 1,8% das vendas europeias (2,8% em Portugal), mas as metas são pujantes. A Renault, por exemplo, pretende que 10% das suas vendas em 2022 sejam de veículos elétricos.

Tags: 
Elétricos
História veículos elétricos
Mobilidade Elétrica

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