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Hidrogénio tem vantagens, mas atenção à origem
13 Nov, 2019

O hidrogénio está, através das viaturas a pilha de combustível (FCEV), cada vez mais na ordem do dia quando o tema é a descarbonização do transporte de passageiros e de mercadorias.

Os FCEV são muito semelhantes aos veículos elétricos (VE). Porém, ao invés de receberem a energia da “tomada” recebem-na dessas mesmas pilhas de combustível.

O hidrogénio é portador de energia, mas não uma fonte de energia. As pilhas de combustível realizam a operação inversa à eletrólise da água. Em vez de se fornecer energia para separar o hidrogénio do oxigénio, as células de combustível produzem energia elétrica ao juntar o H2 que existe no depósito ao oxigénio retirado do ar, gerando, no processo, água. As únicas emissões dos FCEV são, com efeito, o vapor de água produzido.

A principal vantagem face aos veículos 100% elétricos é, por um lado, a maior autonomia e, por outro, a rapidez dos abastecimentos: três a cinco minutos nos ligeiros e menos de dez minutos nos pesados, numa operação tão simples e segura quanto o abastecimento de GPL e GNV (igualmente efetuado a alta pressão). Este número compara com as várias horas necessárias para carregar um VE num carregador “normal” (algo menos nos supercarregadores).

Os depósitos de hidrogénio líquido dos veículos, fabricados em materiais compósitos, são tão seguros como os de gás ou derivados do petróleo com o diesel ou a gasolina.

 

Custo e origem fóssil à procura de “solução”

Porém, não há apenas vantagens dos FCEV face aos VE. A produção, distribuição e armazenamento de hidrogénio tem, por enquanto, custos superiores à produção e distribuição de energia elétrica. Começando pela distribuição, com exceção para países como a Alemanha, a Europa não tem uma rede de abastecimento. Além disso, apesar de serem inferiores ao dos combustíveis fósseis, o preço médio de abastecimento do depósito de uma viatura ligeira com tecnologia FCEV ronda os 50 euros (mais do dobro do que um veículo elétrico).

Outra questão ainda por resolver é que boa parte do hidrogénio do mundo ainda é produzida a partir de madeira ou de combustíveis fósseis, como o gás natural e o petróleo. Este é também produzido a partir de fontes renováveis, mas ainda é mais difícil e caro. A expectativa é a de que o desenvolvimento tecnológico permita, tal como acontece na produção energética, que a taxa das renováveis na produção aumente.

Ao contrário de alguns “clubismos” a que se assiste em algumas discussões, no futuro não haverá um modo de propulsão dominante, com EV, FCEV, híbridos e híbridos plug-in (os dois últimos associados a motores a combustão) a coexistirem nas próximas décadas.

Tags: 
Eletrificação
FCEV
Hidrogénio

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